Material construído por alunos do terceiro módulo do curso de Licenciatura em Ciências da Natureza com habilitação em Física do Instituto Federal de Santa Catarina, Campus Araranguá.
Projeto Ondas da Ciência: divulgação científica na formação docente.
Saiba mais sobre o projeto
Aspectos Históricos
No ano de 1895, Roentgen descobriu um tipo de radiação que atravessava corpos opacos, apesar de esta radiação ser abrsorvida em parte por eles. Esses raios têm a propriedade de excitar substâncias fosforescentes ou fluorescentes, impressionam placas fotográficas e aumentam a condutividade elétrica do ar que atravessam (ionização). Como eram de natureza desconhecida, foram denominados Raios-X.
A partir daí, em 1896, o físico francês Becquerel, através de experimentos descobriu que o urânio poderia deixar marcado um filme fotográfico mesmo na ausência de luz, que eram análogas aos Raios-X.
A partir daí, em 1896, o físico francês Becquerel, através de experimentos descobriu que o urânio poderia deixar marcado um filme fotográfico mesmo na ausência de luz, que eram análogas aos Raios-X.

De acordo com a história, a polonesa Marie Curie e seu marido Pierre Curie em 1897 comprovaram a partir de experimentos feitos com Urânio, que quantidade deste que existente em cada amostra determinava a intensidade da radiação, concluindo que a radioatividade era um fenômeno atômico. Diferentemente dos Raios-X que são feixes de elétrons, a radioatividade é um fenômeno nuclear, ou seja, é resultado de transições que ocorrem no núcleo do átomo.
Compreendendo Melhor
Os seres humanos sempre conviveram com a radioatividade que está presente em qualquer lugar, pois todos os corpos presentes na natureza emitem algum tipo de radioatividade, como o sol, as rochas, vegetais entre outros, por exemplo. No entanto, o risco relacionado a radioatividade depende da intensidade que um elemento emite radiação, portanto pode-se dizer que radioatividade ocorre quando um elemento instável tende a emitir energia na forma de partículas ou ondas eletromagnéticas, buscando a estabilidade.
O Átomo
O átomo é constituído basicamente por um núcleo onde se encontram os prótons (partículas positivas) e os nêutrons (partículas nêutras), já na região ao seu redor chamada de eletrosfera (nuvem eletrônica) é constituída basicamente de espaço vazio orbitado por minúsculas partículas de carga negativa conhecidas como elétrons.
O termo isótopo muito comum na radioatividade, significa basicamente que temos na natureza átomos com mesmo número de prótons, mas variam seu número de nêutrons, tendo como exemplo os isótopos de urânio U-235 e U-238. O número atômico é determinado pela quantidade de prótons constituída no núcleo, este determina o elemento, já a massa atômica é determinada pela soma de prótons e nêutrons. Assim, todos os átomos de urânio têm 92 prótons, mas podem variar no número de nêutrons atingindo massas de 235 e 238 unidades, por exemplo.
Um átomo é considerado instável quando o número de partículas do seu núcleo é grande, ou seja, quanto maior seu núcleo mais instável será, portanto ao emitir energia em forma de partículas diminui sua instabilidade, logo seu núcleo acaba diminuindo o tamanho, assim ficando mais estável.
Entretanto, um átomo não realiza essa atividade apenas uma vez, ele poderá continuar emitindo energia em forma de partículas ou de radiação eletromagnética durante um longo intervalo de tempo, porém no processo de emissão de partículas resultará na transformação de um elemento em outro (transmutação). Quanta ironia! A transmutação perseguida por séculos pelos alquimistas, é um fenômeno que ocorre naturalmente, mas era desconhecido na época.
Alguns Princípios Básicos
No núcleo existem partículas com cargas positivas (prótons) e outras partículas sem carga (nêutrons). Como o núcleo de elementos químicos são formados de mais de uma partícula com cargas desse tipo, existem interações sobre elas e que são de fundamental importância. Atualmente se conhece quatro tipos de forças que atuam sobre os corpos: a força Eletromagnética, a Gravitacional, a Nuclear Forte e a Nuclear Fraca.
A força eletromagnética se baseia no principio de que cargas de sinais opostos se atraem e cargas de sinais iguais se repelem. Os prótons no núcleo possuem cargas iguais (positivas) e por isso se repelem, mas se somente isso acontecesse não haveria núcleo formado como conhecemos e com isso não haveria a formação dos elementos com certa instabilidade e, consequentemente, não haveria vida da forma que conhecemos.
Assim, existe também uma força responsável por manter o núcleo estabilizado, que é a força nuclear forte. Essa força é responsável por não deixar as partículas se repelirem em um determinado raio em que o núcleo do elemento está compreendido, portanto, a força nuclear forte é uma força atrativa, mesmo entre prótons com carga de mesmo sinal. Esse processo compreende um raio muito pequeno, cerca de 10-15 m, que é o alcance da força nuclear forte.
O núcleo atômico é estável dentro desse raio (10-15 m), pois a força nuclear forte mantém o núcleo comprimido, sendo maior que a força eletromagnética. No entanto, quando a distância entre as partículas ultrapassa esse raio a força eletromagnética passa a ser mais intensa que a força nuclear forte, fazendo com que as partículas sejam repelidas, causando assim uma instabilidade no núcleo.
Com a superação da força eletromagnética sobre a nuclear, o átomo emite partículas e energia, que são conhecidas como radiação nuclear, sendo as mais comuns alfa, beta e gama.
Partículas Alfa

Uma maneira de um átomo cheio de energia se estabilizar é através da emissão de partículas alfa que é constituída de dois prótons, dois nêutrons e a energia a elas associada, conhecido como núcleo de hélio (gás nobre conhecido por não reagir quimicamente com outros elementos).
Partículas Beta

Outra forma de se estabilizar é através da radiação beta. Havendo grande número de nêutrons em relação ao número de prótons, ocorre a emissão de uma partícula negativa, o elétron, sendo proveniente da transformação de um nêutron em próton. No entanto também pode ocorrer do átomo conter um excesso de prótons, com isso há a emissão de partículas positiva, o pósitron, que resulta da conversão de um próton em nêutron. Portanto a radiação beta é originada de núcleos que transformam nêutrons em prótons (emitem partículas beta -) ou prótons em nêutrons ( emitem partículas beta +).
Raios Gama

Após um átomo emitir as partículas alfa e beta, o núcleo que se formou ainda pode conter uma grande quantidade de energia, sendo assim, para o núcleo se estabilizar ele emite esse excesso de energia em forma de onda eletromagnética, da mesma natureza da luz, denominada radiação gama. Esta é uma radiação altamente energética e tem um grande poder de penetração, pois não é constituída de partículas, nem tem carga elétrica.
Meia Vida
Os elementos radioativos possuem características que variam de um elemento para outro, a velocidade que um elemento se transmuta ou decai em outro é de característica própria. Devido a esse motivo cada elemento tem um tempo para que sua atividade radioativa reduza que é denominada meia-vida.
Imagine que tenhamos uma rocha que contenha minério de Urânio. Se nesta amostra tivermos uma massa de 1 kg de átomos de Urânio-238, transcorrida uma meia vida (que no caso do urânio 238 é bem longa) teremos apenas 0,5 kg deste isótopo, ou seja, a cada meia vida, a concentração do isótopo na amostra cai pela metade.
Isso não quer dizer que a massa da amostra diminuiu, apenas que parte do Urânio 238 foi transformada em outro elemento, neste caso o Chumbo.
A meia-vida é, portanto, o tempo necessário para que a atividade de um elemento radioativo seja reduzida pela metade. Como exemplo temos o gráfico a seguir, onde a quantidade de Urânio conforme o tempo vai decaindo pela metade, enquanto há formação de Chumbo.
Aplicações
Para que/quem serve a radioatividade?
São inúmeras as formas de utilizar a radiação, porém pouco conhecidas. Expressões que carregam as palavras radioativo ou nuclear costumam causar temor nas pessoas, o que faz este assunto ser pouco conhecido por parte do público não especializado. A seguir vamos conhecer alguns dessas aplicações.
A aplicação da radiação é extremamente importante na geração de energia elétrica, através das usinas nucleares, gera-se muita energia e ocupa pouco espaço geográfico, mas por outro lado existe um alto custo de construção e manutenção dos reatores, e o mais preocupante é o risco de acidentes nucleares e radiológicos, além do destino do lixo radioativo.
Na indústria desempenha principalmente o papel na área da radiografia de peças metálicas, feitas por meio da impressão de radiação gama emitida por uma fonte radioativa em filme fotográfico. Essa radiografia permite ao controle de qualidade encontrar e verifica se existem defeitos na peça. Na aviação permitem observar o estado de conservação de peças sujeitas á muitos esforços, como nas asas e turbinas de aviões, além de permitir observar se há perigos nas soldas e partes metálicas essenciais.
Exames Médicos

Quando ouvimos falar em radioatividade logo pensamos em algo maléfico, por termos uma visão de que a radioatividade é perigosa, causa destruição, pode causar câncer... Mas, se eu dissesse pra você que elementos radioativos podem ser usados em benefício da nossa saúde? Assim torna-se mais agradável e menos preocupante falar dela. Por exemplo, se você precisar realizar um exame da glândula da tireóide, você irá ingerir uma solução contendo um elemento radioativo chamado iodo-131, esse elemento será absorvido pela glândula e com um aparelho detector de radiação o médico poderá ver em um computador o tamanho, forma e atividade da mesma. E você pode se perguntar, mas ficarei contaminado? A resposta é não! Pois em poucos dias o iodo-131 não estará mais em seu organismo, porque é um elemento de meia vida curta, permanecendo por pouco tempo em seu organismo.
Radioterapia
Parece-nos que a radioatividade é algo novo, que surgiu nos últimos séculos. No entanto ela está aí presente na natureza muito antes de eu e você termos nascido, ela apenas não havia sido estudada e explicada conceitualmente. Será que a radioatividade pode trazer benefícios aos seres humanos?
Por mais incrível e estranho que possa parecer ela ajuda a curar o câncer. É a famosa radioterapia que já ouvimos muito falar. Mas como isso acontece?
As células cancerígenas são mais fracas que as células saudáveis, e por esse motivo, uma dose controlada de radiação sobre o local do tumor pode matar as células cancerígenas. O elemento Rádio utilizado na radioterapia foi descoberta no século XIX pelo casal polonês, Pierre e Marie Currie. Em homenagem a eles a radioterapia era anteriormente chamada de curieterapia.
Tratamento de Alimentos
A cada semana milhões de pessoas adoecem por ingerir alimentos infectados. Mas isso não acontece com os astronautas e mesmo pacientes de muitos hospitais. Os alimentos levados nas missões espaciais são irradiados! Vamos explicar: irradiar consiste em bombardear com raios gama o alimento, a fim de esterilizá-los, matando micróbios e insetos. Radiação gama é uma onda eletromagnética emitida por elementos radioativos, como o urânio. Essa radiação tem alto poder de penetração: atravessa latas e outras embalagens. Uma vez esterilizadas, as frutas podem ficar mais tempo armazenadas. Entretanto, não se preocupe, essa radiação não deixa os alimentos radioativos, pois nenhum material radioativo entra em contato com eles. Caso você seja convidado a fazer uma viagem ao espaço, já estará preparado para comer comida irradiada sem medo!
Geração de Energia
Energia Nuclear

A geração de energia nuclear é feita a partir de elementos como Urânio, Polônio, Tório, entre outros. Estes elementos químicos são instáveis devido ao tamanho dos núcleos dos átomos, mesmo espontaneamente, emitem energia para buscar a estabilidade. Além de liberar energia, em forma de radiação gama, por exemplo, eles também ejetam partículas, como nêutrons, elétrons e até mesmo partículas alfa, constituídas de dois prótons e dois nêutrons, provenientes de seu núcleo atômico.
Atualmente, admite-se que a massa seja uma forma de energia, ou seja, que podemos transformar massa em energia, uma explicação plausível pode ser descrita conforme a famosa equação de Einstein, E=m.c², sendo E= energia, m= massa e c= velocidade da luz no vácuo (300.000 km/s). Se pegarmos uma determinada quantidade de material, fissionarmos (quebrarmos os núcleos dos átomos), e ao final consideramos a massa dos fragmentos gerados, veremos que a massa inicial não corresponde à massa final, essa diferença de massas foi transformada em energia conforme a equação apresentada.
A fissão nuclear é o processo onde um núcleo atômico se quebra ao ser atingido por um nêutron, originando dois núcleos menores e liberando mais nêutrons que atingem outros núcleos e os fissionam também, originando uma reação em cadeia. Este processo é iniciado artificialmente para que haja grande liberação de energia, principalmente em forma de radiação e muito calor. Esta energia liberada pode ser usada de várias formas, uma delas é a geração de energia elétrica.
Transformação em Energia Elétrica
O gerador de energia elétrica consiste em um sistema semelhante a um motor elétrico. Um sistema de imãs colocado em movimento em relação a uma bobina de fios condutores. A variação do campo magnético gerado por este movimento constante induz o surgimento de corrente elétrica nos fios condutores.
Desta forma, na maioria dos processos de geração de energia elétrica, o sistema é o mesmo, a diferença está na fonte de energia para colocar a turbina em movimento - força do vento (eólica), água a alta pressão em barragens (hidrelétricas) ou vapor de água a alta pressão provocada pelo aquecimento da água, seja por meio da queima de combustíveis (usinas termoelétricas) ou fissão nuclear (usinas nucleares).
O equipamento utilizado para a geração de energia elétrica a partir da fissão nuclear é constituído de três circuitos. No primeiro, chamado de reator, ocorrem os fenômenos descritos acima. Nesses processos há uma grande liberação de energia aquecendo certa quantidade de água ali presente, esta água (a alta temperatura) passa em dutos por dentro de um segundo circuito de água, aquecendo-a também sem que ambas entrem em contato. Uma vez aquecida, a água que está no segundo circuito gera vapor a alta pressão, este vapor é canalizado e faz girar uma turbina ligada ao gerador de energia elétrica.
Toda a água presente no segundo circuito é resfriado por um terceiro circuito, para que a pressão do vapor não rompa o sistema, voltando assim à forma líquida. O vídeo abaixo explicar o processo de geração de energia elétrica a partir da fissão nuclear.
No reator, existem também as chamadas barras de contenção, que minimizam a reação em cadeia e a controlam. Estas barras são postas no meio da reação em cadeia para que os nêutrons sejam absorvidos por elas, controlando as fissões. Muitas dessas barras são constituídas de grafite, cádmio, entre outros elementos.
Um dos pontos positivos deste método de geração de energia é o fato de não haver emissão de gases que contribuam para o aquecimento global, não havendo interferência no clima. Outro aspecto importante é que as usinas nucleares não necessitam de grandes áreas para funcionar ou de condições climáticas específicas, diferentes de outras formas de produção de energia como a hidrelétrica, eólica, solar.
Porém, uma usina nuclear produz lixo radioativo, cujo descarte ainda é um grande problema. Este lixo consiste em átomos ainda radioativos provenientes das fissões ocorridas no reator. Em alguns casos ele é apenas armazenado na própria usina, em outros casos ele é colocado em caixas de chumbo e jogado no fundo do mar. Uma possibilidade para alguns materiais é ser utilizado novamente como matéria prima para a geração de energia em processo bem perigosos, vale ressaltar que muito desse lixo radioativo não pode ser utilizado dessa forma.
Outro aspecto negativo é a instalação de usinas nucleares próximo as margens de oceanos, para utilização da água do mar no terceiro circuito , ou seja, como água para resfriamento. Esta utilização traz como consequência o desequilíbrio do ecossistema ali presente devido a água que é liberada novamente ao meio. Mesmo não estando contaminada, a água volta com baixa concentração de oxigênio devido ao aquecimento, que também é um fator relevante nas alterações locais. A imagem acima mostra as torres de resfriamento de uma usina nuclear.
Uso Bélico
Aspectos Históricos
Foi Henri Becquerel quem observou pela primeira vez que sais de urânio produziam uma impressão em material fotográfico, a luz emitida impressionava a o material. Mais tarde o casal polonês Pierre e Marie Curie, descobriram que outros elementos também produziam esse tipo de radiação. Marie Curie foi responsável por cunhar o nome de radioatividade para este fenômeno.
Pesquisadores como Ernest Rutherford e Frederick Soddy deram continuidade aos estudos nas décadas seguintes, descobriram dentre as aplicações, à fissão do urânio, mas esta aplicação já havia sido observada pelos alemães Otto Hahn e Fritz Strassmann, e também interpretada pela física austríaca Lise Meitner. O cientista Niels Bohr ao saber que os alemães obtiveram a fissão do urânio temeu seu uso bélico, pois este processo liberava uma grande quantidade de energia.
Por volta dos anos 1939-1945 ocorreu à segunda Guerra mundial, surgiram rumores entre a comunidade cientifica de que a Alemanha possuía conhecimento para a construção de uma bomba nuclear, hoje se sabe que eles não construíram a bomba porque não sabiam fazê-la.
Bombas Nucleares
Em 1945 a explosão de duas bombas atômicas fizeram com que o Japão se rendesse durante a guerra, mas este já estava próximo da rendição, não era necessário que fosse lançado à bomba, causando inúmeras mortes sem falar nas pessoas que tiveram muitas doenças posteriores as explosões.
Sabe-se, através dos meios de comunicação, sobre a utilização da radioatividade na construção de bombas nucleares. Mas o que é uma bomba nuclear e como ela se constitui?
Antes de saber sobre o funcionamento de uma bomba atômica e os perigos que ela provoca é preciso saber sobre o elemento Urânio, que é um dos causadores da explosão. O urânio é um elemento químico. O urânio 238 é o isótopo do urânio mais comum na natureza, o urânio 235, que representa maior perigo a humanidade. É este que é usado em bombas atômicas e reatores nucleares. Mas como isso acontece? O estrago acontece quando um nêutron atinge o átomo de Urânio 235, então ele se quebra em pedaços menores, ejeta mais nêutrons e libera muita energia. Cada um dos nêutrons pode atingir outros átomos de urânio, provocando sucessivas liberações de energia e nêutros. Para comparar, a primeira bomba atômica, de urânio, chamada de Little Boy, e que explodiu na cidade Hiroshima, tinha uma potência de 20 mil toneladas de TNT.
Atualmente, os países que possuem bomba atômica são Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, China, Índia e Paquistão e mais recentemente a Coréia do Norte. Em 1945 ocorria um dos maiores conflitos mundiais: a Segunda Guerra Mundial, marcada por um grande número de ataques contra civis, foi a única vez em que foram utilizadas armas nucleares, foi o conflito mais catastrófico da história da humanidade, com mais de setenta milhões de mortos.
Hiroshima e Nagasaki, cidades muito conhecidas após o maior ataque da história, foram bombardeadas como nunca antes outra cidade foi. Foi a primeira e única vez que se utilizou bombas nucleares. O número de mortos, estimado em mais de 220 mil pessoas, aumentou após os ataques devido a exposição a radiação produzida por esta bomba após a sua explosão.
Documentários
Mundos Perdidos - As fábricas secretas da bomba atômica
Hiroshima e Nagasaki (Documentário de 1945)
Acidentes Nucleares e Radiológicos
Refletindo sobre os riscos
O aumento da população do planeta faz com que a demanda por muitos insumos indispensáveis à vida moderna, como a eletricidade, aumentem. Cada país tem suas particularidades e produz eletricidade de acordo com seu potencial.
Se um país possui recursos hídricos, as hidrelétricas são boas alternativas. Se possui carvão, petróleo ou outros combustíveis, as termoelétricas são a sua alternativa mais viável. Mas há países que não possuem esses recursos em quantidades suficientes ou tem prazos muito curtos para o esgotamento de suas reservas, e tem optado pelas usinas nucleares.
Sempre existe possibilidade de ocorrer um acidente dentro de uma usina nuclear, pois não há como eliminar as chances de ocorrerem falhas humanas ou problemas com equipamentos. Em caso de acidentes, as consequências podem ser catastróficas, como o exemplo de Chernobyl.
Outro problema das usinas nucleares é que o combustível para os reatores tem capacidade de produção de calor finita, ou seja, resumidamente, enfraquecem. Quando isso acontece, o combustível, não produz mais energia de forma rentável, contudo ainda emite radiação. Mesmo que o reator seja descartado e lacrado, ainda tem potencial de emitir radiação.
No caso de acidentes radiológicos, são vários episódios ao redor do mundo. O que estes casos possuem em comum é que fontes radioativas ficaram ao alcance de pessoas desconhecedoras do perigo que manuseavam. E agora: de quem é a responsabilidade por tal acontecido?
Os resultados desastrosos de tais acidentes não foram menores que no caso de acidentes em usinas nucleares, pois vidas foram perdidas, e traumas físicos e psicológicos são carregados até hoje por muitas pessoas. Estes prejuízos poderão prosseguir, já que um dos efeitos da radioatividade sobre os seres vivos é a alteração do DNA, transmitindo alterações deste código genético para gerações futuras.
Um Acidente Radiológico no Brasil
A diferença entre acidente nuclear e acidente radiológico, é que o acidente nuclear ocorre com reatores de pesquisa ou energia. Já o acidente radiológico ocorre com qualquer material radioativo. Por isso, acidentes radiológicos são mais frequentes que acidentes nucleares, pois podem ocorrer em qualquer hospital, por exemplo, que tenha um serviço de radioterapia ou em uma instalação de medicina nuclear.
Um ano e meio após o desastre de Chernobyl, aconteceu o acidente radiológico de Goiânia. No episódio, catadores de sucata encontraram um equipamento usado em radioterapia abandonado em uma clínica desativada.O equipamento foi desmontado e uma peça chamada colimador foi aberta a golpes de marreta. Dentro do colimador (feito de chumbo) havia 19 gramas de césio-137, um isótopo radioativo deste elemento.
A peça de chumbo foi vendida a um ferro-velho, e o dono do ferro velho encantado com o pó que emitia brilho azulado quando colocado no escuro, fez um anel para sua esposa e distribuiu o pó para amigos e familiares, tragicamente contaminando mais e mais vitimas.
Quando o acidente foi descoberto, autoridades enviaram policiais e bombeiros, sem proteção adequada, para isolar a área. Estes profissionais também se contaminaram. As vitimas tiveram suas residências e pertences destruídos, levados para um aterro, onde os trabalhadores que fizeram a demolição e o transporte também se contaminaram. Calcula-se que mais de 60 pessoas foram vítimas fatais e em torno de 6 mil foram contaminadas.
Produziu-se cerca de 13,4 toneladas de lixo contaminado, que continuará perigoso para o meio ambiente por mais de 180 anos. Para que se tenha uma ideia do potencial perigo que esse lixo representa, tudo foi acondicionado em contêineres fechados hermeticamente, enterrados em uma vala de aproximadamente 30 metros de profundidade. A vala foi revestida por uma parede de concreto e chumbo de 1 metro de espessura e sobre a vala foi construída uma montanha. As proximidades do ferro-velho foram cobertos por 7 metros de espessura de concreto para impedir possíveis vazamentos de radiação.
Mais Sobre Acidentes Nucleares
Quando se trata do uso de tecnologias relacionadas a energia nuclear as possibilidades de falhas sempre existem e podem causar acidentes de várias espécies. Em dois acidentes nucleares de grande repercussão mundial que conhecemos, não foi diferente.
Em 1986, um dos reatores da usina nuclear de Chernobyl foi submetido à manutenção. Uma série de violações às normas de segurança aliadas a atitudes de pessoas mal treinadas resultou no maior acidente nuclear da história, que quase tornou toda a Europa inabitável.
Em 2011, um dos reatores da usina nuclear de Fukushima, no Japão, sofreu avarias decorrentes de um grande terremoto. Neste caso, ficou claro o quanto o projeto era frágil diante da força do fenômeno natural ocorrido.
Diante da impossibilidade de eliminar os riscos existentes no uso desta fonte de energia, a primeira ministra da Alemanha, Ângela Merkel (que tem graduação em física e conhece esses riscos) anunciou em 2011 que até 2022 todas as atividades nas usinas nucleares de seu país devem ser encerradas.
Fica a reflexão para cada um de nós agora. Perante o risco de falhas ao manipular fonte tão energética, e dos resultados terríveis causados por essas falhas, fica a pergunta: Estamos preparados para decidir sobre o aumento da energia nuclear em nossa matriz energética?
Um Acidente Recente: Fukushima
O acidente de Fukushima teve como principais características o terremoto seguido de um tsunami, o que resultou em explosões dos reatores um, dois e três colocando a baixo uma das paredes que o isolava do meio ambiente e como consequência acarretou no vazamento de água radioativa.
Quando há um acidente nuclear existe a preocupação das autoridades que a radiação liberada na atmosfera pode gerar desde queimaduras a vários tipos de câncer. Você sabe como isso acontece?
São três tipos de radiação mais comuns que são liberados no meio ambiente por materiais contaminados: as radiações alfa, beta e gama. A primeira não consegue ultrapassar a pele da pessoa, já a partícula beta pode penetrar até um centímetro na pele e gerar queimaduras, enquanto os raios gama são os mais perigosos por que podem deformar as células levando a várias enfermidades inclusive cancerígenas.
Foi desenvolvida uma agenda, em função de um relatório da Comissão de Energia Atômica do Japão, para que o combustível nuclear das piscinas dos reatores 1, 2, 3 e 4 comece a ser recolhido em dois anos e que possa ser guardado por pouco tempo nas próprias instalações da central.
A desativação da usina de Fukushima levará até 40 anos, segundo os planos da companhia elétrica Tepco e do governo japonês divulgados na revista veja em dezembro de 2011.
Documentários
Chernobyl - Documentário
Principais fontes e recomendações de leitura
Física Conceitual, Paul G. Hewitt; 9ª edição, 2002;
Por Líria Alves Graduada em Química, Equipe Brasil Escola;
Projeto Ondas da Ciência: divulgação científica na formação docente.
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Aplicações
ResponderExcluirTratamento de Alimentos
Radiação gama é formada é uma eletromagnética emitida por elementos radioativos, como o urânio.
Acho que está faltando partes na explicação.
Tipo onda, força ou algo assim.
Na verdade estava faltando uma coisa (onda) e sobrando outras (é formada). Veja agora como ficou a redação!
ExcluirObrigado por suas contribuições Rosangela!
Sobre o lixo radioativo, você diz: [...]Uma possibilidade para alguns materiais é ser utilizado novamente como matéria prima para a geração de energia em processo bem perigosos, vale ressaltar que muito desse lixo radioativo não pode ser utilizado dessa forma.[...]
ResponderExcluirTenho três perguntas sobre isso.
1° Porque esse processo de reutilização é mais perigoso que o processo primário de geração de energia?
2° Porque não se pode utilizar o elemento até que seu núcleo decaia para um estável?
3° Porque apenas alguns lixos podem ser reutilizados?
Obrigado pelo material, foi uma ótima leitura!!